Disciplina: Língua Portuguesa 0 Curtidas

Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos - ENEM 2011

Questão 102 - Caderno Azul
Atualizado em 29/02/2024
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Quem é pobre, pouco se apega, é um giro-o-giro no vago dos gerais, que nem os pássaros de rios e lagoas. O senhor vê: o Zé-Zim, o melhor meeiro meu aqui, risonho e habilidoso. Pergunto: — Zé-Zim, por que é que você não cria galinhas-d’angola, como todo o mundo faz? — Quero criar nada não… — me deu resposta: — Eu gosto muito de mudar… […] Belo um dia, ele tora. Ninguém discrepa. Eu, tantas, mesmo digo. Eu dou proteção. […] Essa não faltou também à minha mãe, quando eu era menino, no sertãozinho de minha terra. […] Gente melhor do lugar eram todos dessa família Guedes, Jidião Guedes; quando saíram de lá, nos trouxeram junto, minha mãe e eu. Ficamos existindo em território baixio da Sirga, da outra banda, ali onde o de-Janeiro vai no São Francisco, o senhor sabe.

Na passagem citada, Riobaldo expõe uma situação decorrente de uma desigualdade social típica das áreas rurais brasileiras marcadas pela concentração de terras e pela relação de dependência entre agregados e fazendeiros. No texto, destaca-se essa relação porque o personagem-narrador

ROSA, J. G. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio (fragmento).

  1. relata a seu interlocutor a história de Zé-Zim, demonstrando sua pouca disposição em ajudar seus agregados, uma vez que superou essa condição graças à sua força de trabalho.

  2. descreve o processo de transformação de um meeiro — espécie de agregado — em proprietário de terra.

  3. denuncia a falta de compromisso e a desocupação dos moradores, que pouco se envolvem no trabalho da terra.

  4. mostra como a condição material da vida do sertanejo é dificultada pela sua dupla condição de homem livre e, ao mesmo tempo, dependente.

  5. mantém o distanciamento narrativo condizente com sua posição social, de proprietário de terras.

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Solução

Alternativa Correta: D

Este teste é exemplo de extrapolação sociológica que, partindo da identificação discutível (para dizer o mínimo!) entre “meeiro” e “agregado”, aplica ao sertão o esquema analítico que Roberto Schwarz aplicou a Machado de Assis e a sociedade representada em seus romances. Segundo o examinador, a condição de agregado, homem de situação simultaneamente livre e servil, repetir-se-ia no sertão na situação do meeiro. Admite-se que ele pense assim, mas é absurdo que imponha tal análise forçada aos candidatos do Enem, pois estes não têm por que identificar uma relação comercial, ainda que de exploração (meeiro), com um vínculo de puro favor (agregado).

Créditos da Resolução: Curso Objetivo

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Recebedor: Wesley Rodrigues

Área do Conhecimento: Linguagens Códigos e suas tecnologias

Ano da Prova: 2011

Nível de Dificuldade da Questão: Médio

Assuntos: Pós-Modernismo

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